"o ser humano detesta a dor, mas tem uma fortíssima atração por ela; rejeita os acidentes, as mazelas e misérias, mas eles seduzem sua retina". Essa citação foi retirada do livro O vendedor de Sonhos, uma ficção do psiquiatra Augusto Cury que, todavia, fala, de início, dessa fascinação que as pessoas têm pela violências, pelas dores.
Embora o resto do livro não seja exatamente útil para responder à questão proposta, alguns trechos servem para explicar pontos úteis. O cinema brasileiro anda tão violento porque as pessoas possuem forte atração pela violência.
É claro que, se olharmos o geral do cinema nacional, não são tantos os filmes que sejam violentos ou retratem essa realidade do País. O que é curioso é que, aparentemente, apenas eles fazem realmente sucesso - dentro e fora do Brasil.
Sempre temática dos filmes brasileiros, a miséria, a pobreza e a vida das pessoas simples foi enredo de histórias premiadas, como Central do Brasil. Na década de 90 e início dos anos 2000, pela primeira vez as produções nacionais passaram a repercurtir mundialmente. Começando com o filme cuja atriz era Fernanda Montenegro até chegar a Cidade de Deus.
City of God, como foi chamada a produção no exterior, é um marco para o nosso cinema. Embora não tenha ganhado o Oscar, foi o primeiro filme a concorrer em 4 categorias, sendo uma delas a de melhor diretor, para Fernando Meirelles. Infelizmente, a premiação estadunidense dificilmente entrega estatuetas a concorrentes do terceiro mundo, mas, de toda forma, o filme ganhou projeção internacional.
O sucesso de Cidade de Deus foi tamanho que abriu espaço para outros filmes que mostrassem a mesma realidade violenta das favelas do Rio de Janeiro. Tropa de Elite é o exemplo mais recente, mas também houve Cidade dos Homens e muitos outros.
É bem verdade que nem todos os filmes tratam apenas da violência dentro da favela. Outro longa muito premiado do País é o documentário Ônibus 174, que conta a história do famosos sequestro da linha de ônibus 174 no Rio de Janeiro, em 2002. A diferença é que, no documentário, o diretor não tentou mostrar apenas a violência crua carioca, mas humanizou o próprio sequestrador, fazendo o espectador ver que ele tinha um motivo para cometer a atrocidade que cometeu; que ele não fora criado em "berço esplêndido", por assim se dizer.
Seja como for, pelo motivo que tiver, a verdade é que a violência nas favelas brasileiras, principalmente nas cariocas, vende. E vende muito bem. Por mais difícil que seja aceitar isso, o brasileiro deve encarar como sendo sua realidade. É isso que vendemos para o exterior porque é um pouco disso que somos: um país violento, pobre e extremamente desigual.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Sucesso da Tropa
Atualmente alcançar o sucesso de bilheteria e de boas críticas é um desafio cada vez maior para os diretores, produtoras e seus filmes. O mais recente filme do diretor José Padilha virou um fenômeno não apenas pelas críticas e o sucesso nos cinemas, mas também por ser o filme número um nas vendagens dos camelôs.
É com certa facilidade que podemos dizer que Tropa de Elite (2007) nasceu polêmico. Primeiro por se tratar de um assunto muito delicado: violência. Entretanto, não é qualquer violência, mas a violência do Rio de Janeiro, principalmente a que vivemos no nosso dia-a-dia; uma brincadeira de polícia e ladrão potencializada e muito mais complexa.
Dirigido por José Padilha, estreante na ficção e responsável pelo sensacional documentário Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite se passa em 1997, pouco antes da visita do Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro. Diferente de outros filmes, como Cidade de Deus (2002), em que os personagens principais são os bandidos, a narrativa do mais recente trabalho de Padilha desenvolve-se em cima da polícia carioca. O diretor não vem para mostrar o dia-a-dia do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), mas sim para contar a história do capitão Nascimento (Wagner Moura). Nascimento está cansado do trabalho e acredita que sua nova missão, a de proteger o Papa em sua vinda, é estúpida. Enquanto lida com seus problemas, ele procura um substituto que pode estar nas figuras dos aspirantes Neto e Matias. O primeiro se destaca pela coragem, o segundo pela inteligência e ambos pela honestidade. Se pudesse reunir todas essas qualidades num só homem, o capitão já teria achado o seu candidato.
Um dos principais objetivos de Padilha era fazer com que as pessoas debatessem sobre o filme. Assim como em Ônibus 174, Tropa de Elite seria um documentário, no entanto, os policias entrevistados estavam receosos em mostrarem suas caras ao mundo e sofrerem as conseqüências entre a própria polícia e também o tráfico. Mesmo assim, o filme não deixou de ser um documentário, foram feitos cerca de dois anos de investigações em conjunto com o BOPE, psiquiatras da PM, ex-traficantes e diversos policiais. Os próprios atores passaram por duros treinamentos para a execução final e tão realista que o filme nos traz.
A questão e o discurso do filme acabam sendo ofuscados pelo drama relacionado aos personagens, especificamente do capitão Nascimento. Alguns espectadores preocupam-se mais com desenrolar da história do que a crítica que envolve um filme milimetricamente pensado. Padilha nos mostra, como resultado do descaso do governo, a corrupção em suas diversas formas dentro da própria polícia militar. Assim como em Ônibus 174, o policial do Rio de Janeira é mal preparado, mal armado e não possui a auto-estima necessária, mas em contraponto temos o BOPE, altamente treinado, armado e agindo através da extrema violência.
O segundo ponto polêmico gira em torno da pirataria. Tropa de Elite tornou-se um dos filmes mais comentados antes mesmo de sua estreia nas telonas, o lançamento “da perna de pau” ocorreu dois meses antes do oficial. O DVD pirata podia, e ainda pode, ser encontrado em qualquer camelô que gostaria de estourar em vendas. Segundo dados do Datafolha, mais de um milhão de pessoas já haviam assistido ao filme antecipadamente, sem contar o número de downloads ilegais realizados.
O que nos resta saber é se Tropa de Elite alcançou tamanho sucesso, e consequentemente popularidade, devido sua brilhante execução, ou ganhou tamanha projeção através das vendas antecipadas e ilegais. Afinal, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?
É com certa facilidade que podemos dizer que Tropa de Elite (2007) nasceu polêmico. Primeiro por se tratar de um assunto muito delicado: violência. Entretanto, não é qualquer violência, mas a violência do Rio de Janeiro, principalmente a que vivemos no nosso dia-a-dia; uma brincadeira de polícia e ladrão potencializada e muito mais complexa.
Dirigido por José Padilha, estreante na ficção e responsável pelo sensacional documentário Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite se passa em 1997, pouco antes da visita do Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro. Diferente de outros filmes, como Cidade de Deus (2002), em que os personagens principais são os bandidos, a narrativa do mais recente trabalho de Padilha desenvolve-se em cima da polícia carioca. O diretor não vem para mostrar o dia-a-dia do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), mas sim para contar a história do capitão Nascimento (Wagner Moura). Nascimento está cansado do trabalho e acredita que sua nova missão, a de proteger o Papa em sua vinda, é estúpida. Enquanto lida com seus problemas, ele procura um substituto que pode estar nas figuras dos aspirantes Neto e Matias. O primeiro se destaca pela coragem, o segundo pela inteligência e ambos pela honestidade. Se pudesse reunir todas essas qualidades num só homem, o capitão já teria achado o seu candidato.
Um dos principais objetivos de Padilha era fazer com que as pessoas debatessem sobre o filme. Assim como em Ônibus 174, Tropa de Elite seria um documentário, no entanto, os policias entrevistados estavam receosos em mostrarem suas caras ao mundo e sofrerem as conseqüências entre a própria polícia e também o tráfico. Mesmo assim, o filme não deixou de ser um documentário, foram feitos cerca de dois anos de investigações em conjunto com o BOPE, psiquiatras da PM, ex-traficantes e diversos policiais. Os próprios atores passaram por duros treinamentos para a execução final e tão realista que o filme nos traz.
A questão e o discurso do filme acabam sendo ofuscados pelo drama relacionado aos personagens, especificamente do capitão Nascimento. Alguns espectadores preocupam-se mais com desenrolar da história do que a crítica que envolve um filme milimetricamente pensado. Padilha nos mostra, como resultado do descaso do governo, a corrupção em suas diversas formas dentro da própria polícia militar. Assim como em Ônibus 174, o policial do Rio de Janeira é mal preparado, mal armado e não possui a auto-estima necessária, mas em contraponto temos o BOPE, altamente treinado, armado e agindo através da extrema violência.
O segundo ponto polêmico gira em torno da pirataria. Tropa de Elite tornou-se um dos filmes mais comentados antes mesmo de sua estreia nas telonas, o lançamento “da perna de pau” ocorreu dois meses antes do oficial. O DVD pirata podia, e ainda pode, ser encontrado em qualquer camelô que gostaria de estourar em vendas. Segundo dados do Datafolha, mais de um milhão de pessoas já haviam assistido ao filme antecipadamente, sem contar o número de downloads ilegais realizados.
O que nos resta saber é se Tropa de Elite alcançou tamanho sucesso, e consequentemente popularidade, devido sua brilhante execução, ou ganhou tamanha projeção através das vendas antecipadas e ilegais. Afinal, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?
terça-feira, 9 de junho de 2009
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil.

7 de março, de 1808, a esquadra de D. João VI chega à Baia de Guanabara. Pressionado pela Inglaterra e por medo do avanço das tropas napoleônicas, a família real faz, então, a transferência da corte para o Brasil. Uma viagem que durou quase um ano, em que navios se dispersaram pelo mau tempo e muitos pertences foram esquecidos em Portugal graças a desajeitada e confusa decisão da partida, cerca de 15 mil pessoas se instalaram no Rio de Janeiro durante 13 anos.
Com direção da estreante Carla Camurati e contando no elenco com atores globais como Marieta Severo (Carlota Joaquina) e Marco Nanini (D. João VI), o filme é uma sátira de chegada da corte portuguesa ao país, com humor típico das chanchadas da época que faziam tanto sucesso. Apesar do pouco orçamento para realização do filme, há uma compensação pela parte criativa em explorar os estereótipos de Carlota em suas atrapalhadas na Corte e seus inúmeros amantes juntamente com a falta de preparo de D. João para assumir o trono.
D. João VI e Carlota assumiram o trono em Portugal após a morte de D. José em 1777 e a declaração de insanidade de sua esposa, D. Maria I em 1792. Nessa mesma época, na França, Napoleão Bonaparte começava sua expansionista sobre o Velho Mundo. As conseqüências da Revolução Francesa e o medo do rápido avanço das tropas napoleônicas, D. João VI resolve fugir para sua principal colônia, o Brasil.
A chegada ao Brasil e a instalação no país foi bastante conturbada. Sem o menor pudor e preocupação com a população que habitava a cidade, casas foram requisitadas pela cora portuguesa que colocava cartazes com a iniciais P.R. (casa requisitada pelo Príncipe Regente). D. João VI não tinha muita personalidade política, o que fazia com que fosse incapaz de tomar decisões políticas importantes, sendo alvo constantemente de piadas entre o povo brasileiro. Carlota Joaquina, por sua vez, vez jus a fama de ter seus desejos sexuais insaciáveis. Com muitos amantes, teve 9 filhos, dos quais dizia ser 5 de D. João VI e os outros 4 de amantes quaisquer.
Por outro lado, a chegada da Corte trouxe alguns avanços para o país que estava bastante desgastado com a crise do antigo sistema colonial. O Brasil começava de certa forma a dar seus primeiros passos de uma autonomia econômica, principalmente com a abertura dos portos e a fundação do Banco do Brasil.
Quando as cortes em Portugal conseguiram se livrar das ameaças de Napoleão Bonaparte, exigiram a volta da família real para o país. Em 1821, D. João VI deixa o Brasil e seu filho D. Pedro assume o país. Logo em 7 de janeiro de 1830, no palácio de Queluz, Carlota Joaquina morre. Muitas pessoas acreditam no suicídio.
Ainda assim, esses avanços não foram suficientes para dar uma fama melhor ao episódio da vinda da Corte Real para o país. Desta forma, o filme atinge seu objetivo de mostrar o descaso português em relação à sua principal colônia e como, definitivamente, nossos problemas sociais, econômicos e políticos tem origem desde essa época colonial.
A Retomada do Cinema Brasileiro
Primeiramente, para entender a retomada do cinema brasileiro, é preciso, ao menos, citar a pausa na produção cinematográfica no período anterior. Durante o governo de Fernando Collor, no início da década de 90, é extinta a Empresa Brasileira de Filmes -Embrafilme- que oferecia ajuda financeira aos longas e curta-metragem.
Além da Embrafilme, outros recursos foram eliminados, como o Concine – Conselho Nacional de Cinema – que durou de 1976 à 1990 e a Fundação do Cinema Brasileiro, que existia desde 1988 e foi fechada também em 1990.
Com o fechamento desses órgãos de apoio, a produção cinematográfica sofreu uma brusca queda; principalmente em se tratando de longa-metragens, que necessitam de mais recursos para serem produzidos. Existem também expeculações a cerca de outros motivos que teriam colaborado para essa pausa no setor cinematográfico; entre ele estariam a crise econônica nacional – atravessada pelo país em 1980- que teria seus reflexos explícitos na década de 90, as altas taxas de inflação, e o grande sucesso da televisão, que estava atraiando uma enorme audiência na época.
Dois anos depois, com o Impeachment do presidente Collor, Itamar Franco assume o governo. Em Julho de 1993, então, é implementada a Lei do Audiovisual, que descontaria os impostos de empresas privadas que financiassem produções de cinema. Somente em 1995 os reflexos do novo incentivo começam a ser visíveis e novo filmes brasileiros começam a surgir sob ajuda financeira.
Outros incentivos começam a surgir a partir de então. Em 1998 a Cota de Tela passa a ser 49 dias de obrigatoriedade para a exibição de filmes nacionais nas salas de cinema. Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso cria a Ancine (agência Nacional de Cinema), a fim de regulamentar e fiscalizar o financiamento e a produção de filmes contemplados pelas leis de incentivo.
Existem duas datas distintas que estabelecem o período da chamada “Retomada” do cinema brasileiro. Algumas pessoas determinam esse período a partir de 1993, quando há o reinício da atividade cinematográfica no país, outros preferem estipular o inicio da retomada em 1995 com o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Não existe um movimento ou uma escola que caracterize o cinema da retomada, o que se pode constatar são algumas caracteriticas presentes nas produções. O que ocorre é que com a inscerção do setor privado e a intervenção das empresas do Estado, os roteiros e as produções sofrem drásticas mudanças. As políticas de incentivo e as empresas vão pressionar os diretores e envolvidos para que as salas de cinema estivessem sempre com grande público, para que, assim, seus investimentos tivessem retorno.
Para isso, era necessário adotar alguns critérios estéticos novos e diferentes para que, assim, pudessem conseguir apoio financeiro. Dessa forma, os roteiros acabam adotando uma linguagem mais simples e com narrativas parecdias com o modelo televisivo da época – que fazia tanto sucesso.
Existia também uma ligação afetiva com o espectador. A ligaçõa entre a publicidade e a propaganda com o cinema tinha sugestão emotiva, sem que fosse necessário citar qualquer propaganda, de fato, nos filmes, os formatos eram muito parecidos, o que fazia com que as pessoas se familiarizassem com as campanhas publicitárias.
Alguns criticos defendem a idéia de que a maioria dos filmes da retomada buscavam apenas o entretenimento e não abria espaço para reflexão em uma “espetaculzarização” da vida. Essa tal espetacularização estava ligada à proximidade com os roteiros norte-americanos.
Basicamente, a maioria dos filmes da retomada faziam alguma referência à sonhos de rápida ascenção. Era comum a personalidade de ‘gente do povo’ que tentava fugir da seca e da fome, em busca de melhorias de vida.
Algumas divergências circundam uma data limite paa o que se chama de cinema de retomada. Alguns acreditam que o termo pode aidna ser usado para a atual produção cinematográfica brasileira, outros preferem limitar esse período para o fim do governo de Fernanco Henrique Cardoso, em 2002.
Os que julgam o fim do cinema da retomada, determinam o período de pós-retomada a partir do filme Cidade de Deus (2002, Fernando Meireles). Para esses, a entrada da globo filmes na produção e distribuição de filmes brasileiros determinaria uma nova caracterização cinematográfica.
O que se pode constatar é que em meio a um vulcão em atividade produzindo filmes, com foi o cinema da retomada, existem coisas boas e ruins, naturalmente. Dentro desse fervilhão o que se precisa é saber filtrar os produtos de qualidade.
Além da Embrafilme, outros recursos foram eliminados, como o Concine – Conselho Nacional de Cinema – que durou de 1976 à 1990 e a Fundação do Cinema Brasileiro, que existia desde 1988 e foi fechada também em 1990.
Com o fechamento desses órgãos de apoio, a produção cinematográfica sofreu uma brusca queda; principalmente em se tratando de longa-metragens, que necessitam de mais recursos para serem produzidos. Existem também expeculações a cerca de outros motivos que teriam colaborado para essa pausa no setor cinematográfico; entre ele estariam a crise econônica nacional – atravessada pelo país em 1980- que teria seus reflexos explícitos na década de 90, as altas taxas de inflação, e o grande sucesso da televisão, que estava atraiando uma enorme audiência na época.
Dois anos depois, com o Impeachment do presidente Collor, Itamar Franco assume o governo. Em Julho de 1993, então, é implementada a Lei do Audiovisual, que descontaria os impostos de empresas privadas que financiassem produções de cinema. Somente em 1995 os reflexos do novo incentivo começam a ser visíveis e novo filmes brasileiros começam a surgir sob ajuda financeira.
Outros incentivos começam a surgir a partir de então. Em 1998 a Cota de Tela passa a ser 49 dias de obrigatoriedade para a exibição de filmes nacionais nas salas de cinema. Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso cria a Ancine (agência Nacional de Cinema), a fim de regulamentar e fiscalizar o financiamento e a produção de filmes contemplados pelas leis de incentivo.
Existem duas datas distintas que estabelecem o período da chamada “Retomada” do cinema brasileiro. Algumas pessoas determinam esse período a partir de 1993, quando há o reinício da atividade cinematográfica no país, outros preferem estipular o inicio da retomada em 1995 com o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Não existe um movimento ou uma escola que caracterize o cinema da retomada, o que se pode constatar são algumas caracteriticas presentes nas produções. O que ocorre é que com a inscerção do setor privado e a intervenção das empresas do Estado, os roteiros e as produções sofrem drásticas mudanças. As políticas de incentivo e as empresas vão pressionar os diretores e envolvidos para que as salas de cinema estivessem sempre com grande público, para que, assim, seus investimentos tivessem retorno.
Para isso, era necessário adotar alguns critérios estéticos novos e diferentes para que, assim, pudessem conseguir apoio financeiro. Dessa forma, os roteiros acabam adotando uma linguagem mais simples e com narrativas parecdias com o modelo televisivo da época – que fazia tanto sucesso.
Existia também uma ligação afetiva com o espectador. A ligaçõa entre a publicidade e a propaganda com o cinema tinha sugestão emotiva, sem que fosse necessário citar qualquer propaganda, de fato, nos filmes, os formatos eram muito parecidos, o que fazia com que as pessoas se familiarizassem com as campanhas publicitárias.
Alguns criticos defendem a idéia de que a maioria dos filmes da retomada buscavam apenas o entretenimento e não abria espaço para reflexão em uma “espetaculzarização” da vida. Essa tal espetacularização estava ligada à proximidade com os roteiros norte-americanos.
Basicamente, a maioria dos filmes da retomada faziam alguma referência à sonhos de rápida ascenção. Era comum a personalidade de ‘gente do povo’ que tentava fugir da seca e da fome, em busca de melhorias de vida.
Algumas divergências circundam uma data limite paa o que se chama de cinema de retomada. Alguns acreditam que o termo pode aidna ser usado para a atual produção cinematográfica brasileira, outros preferem limitar esse período para o fim do governo de Fernanco Henrique Cardoso, em 2002.
Os que julgam o fim do cinema da retomada, determinam o período de pós-retomada a partir do filme Cidade de Deus (2002, Fernando Meireles). Para esses, a entrada da globo filmes na produção e distribuição de filmes brasileiros determinaria uma nova caracterização cinematográfica.
O que se pode constatar é que em meio a um vulcão em atividade produzindo filmes, com foi o cinema da retomada, existem coisas boas e ruins, naturalmente. Dentro desse fervilhão o que se precisa é saber filtrar os produtos de qualidade.
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